Origens do Yôga Antigo

A cronologia histórica do Yôga

O Yôga teve sua origem na Índia, ou melhor, no território hoje ocupado por ela. De fato, essa nação ainda não existia. No tempo, situa-se há 5.000 anos. Culturalmente, localiza-se na civilização harappiana ou dravídica, que expandiu-se a partir do Vale do Rio Indo. Ao longo de cinco milênios, o Yôga sofreu inúmeras mutações. Vamos estudá-las.

Convidamos o leitor a ir construindo conosco o quadro da Cronologia Histórica do Yôga.

Primeiramente, dividimos o Yôga em dois grandes períodos: o Yôga Antigo e o Yôga Moderno. O primeiro ocupa um espaço de 4.000 anos. O segundo, ocupa apenas os últimos mil anos. Portanto, a primeira divisão deveria ser quatro vezes maior do que a segunda.

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Duração 4.000 ANOS 1.000 ANOS

No entanto, há muito mais registros dos períodos mais recentes. Dessa forma, a divisão do Yôga Moderno acabou ocupando mais espaço no nosso quadro sinótico.

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Duração 4.000 ANOS 1.000 ANOS

A principal diferença entre o Yôga Antigo e o Yôga Moderno

A diferença mais marcante entre os dois grandes grupos é o fato de que o Yôga Antigo é de tendência predominantemente Sámkhya, enquanto que o Yôga Moderno é de tendência predominantemente Vêdánta.

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Tendência Sámkhya Vêdánta

São, portanto, correntes antagônicas

O Sámkhya é naturalista (não-espiritualista) e interpreta os fenômenos desencadeados pelo Yôga como ocorrências que obedecem às leis da Natureza e não são devidos a nenhuma graça divina nem mérito espiritual do praticante. Naturalismo é a filosofia que atribui causas naturais a todos os efeitos.

O Vêdánta é espiritualista, não raro, místico, quase religioso, e atribui os fenômenos produzidos pela prática do Yôga à graça divina e ao mérito espiritual do praticante. Espiritualismo é a filosofia que atribui causas sobrenaturais a todos os efeitos.

O Yôga original não era místico

Note que, contrariamente ao que se imagina, o Yôga Antigo não é místico e nem mesmo espiritualista. Esse é o Yôga Moderno. Sempre achamos que os antigos fossem mais supersticiosos e místicos. É que quando nos referimos aos antigos, estamos nos reportando a 200 anos atrás, 500 anos, 1.000 anos. O Yôga Antigo data de 5.000 anos, um período denominado proto-histórico, pois nem mesmo histórico ele chegava a ser, já que não foram encontrados textos que registrassem a história. A questão é que não conseguimos sequer imaginar como era aquela civilização. Uma coisa parece certa: não eram religiosos. Nas escavações levadas a efeito desde o século XIX até o século XXI “não foram encontradas ruínas de templos, nem esculturas de divindades, nem de devotos em atitude de oração”.

O espiritualismo e o misticismo foram se instalando na Índia em tempos posteriores e tiveram o seu apogeu na Idade Média.

Os quatro troncos do Yôga

O Yôga Antigo é dividido em Pré-Clássico e Clássico. Mesmo o Sámkhya que fundamenta esses dois períodos é diferente. O Pré-Clássico é fundamentado pelo Niríshwara Sámkhya, ou “Sámkhya sem-Senhor”, e o Clássico, pelo Sêshwara Sámkhya, ou “Sámkhya com-Senhor”. Este último é discretamente teísta, mas ainda não é espiritualista nem místico.

O Yôga Moderno é dividido em Medieval e Contemporâneo, ambos regidos pelo Vêdánta.

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Tendência Sámkhya Vêdánta
Período Yôga Pré-Clássico Yôga Clássico Yôga Medieval Yôga Contemporâneo

O Yôga mais antigo não é o Clássico

Neste ponto, detectamos um erro gravíssimo cometido pela maior parte dos autores de livros e pelos professores de Yôga. Declaram eles com freqüência que o Yôga mais antigo é o Yôga Clássico, do qual ter-se-iam originado todos os demais. É muito fácil provar que estão sofrendo de cegueira paradigmática. Primeiramente, nada nasce já clássico. A música não surgiu como música clássica. Primeiramente surgiu a música primitiva, que precisou evoluir milhares de anos até que conquistasse o status de música clássica (tanto faz se música clássica européia ou música clássica hindu). A dança é outro exemplo eloqüente. Primeiro surgiu a dança primitiva, que precisou evoluir milhares de anos até chegar a ser considerada dança clássica (seja ela Ballet Clássico ou Bhárata Natya). Nada nasce já clássico. E assim foi com o Yôga. Primeiramente, nasceu o Yôga Primitivo, Pré-Clássico, Pré-Ariano, Pré-Vêdico, Proto-Histórico. Ele precisou se transformar durante milhares de anos para chegar a ser considerado Yôga Clássico. Provado está que o Yôga Clássico não é o mais antigo, conseqüentemente, não nasceram dele todos os demais – o Pré-Clássico, por exemplo, não nasceu dele.

Além dessa demonstração, nas escavações em diversos sítios arqueológicos foram encontradas evidências de posições de Yôga muito anteriores ao período clássico e textos que precederam essa época já citavam o Yôga.

Mas como doutos escritores e Mestres honestos cometeram um erro tão primário?

Acontece que a Índia foi ocupada pelos áryas, cujas últimas vagas de ocupação ocorreram em cerca de 1.500 a.C. Isso foi o golpe de misericórdia na Civilização Harappiana, de etnia dravídica. Conforme registraram muitos historiadores, os áryas eram na época um povo nômade guerreiro sub-bárbaro. Precisou evoluir mil e quinhentos anos para ascender à categoria de bárbaro durante o Império Romano. A Índia foi o único país que, depois de haver conquistado a arte da arquitetura, após a ocupação ariana passou séculos sem arquitetura alguma, pois seus dominadores sabiam destruir, mas não sabiam construir, já que eram nômades e viviam em tendas de peles de animais.

Como sempre, “ai dos vencidos”. Os arianos aclamaram-se raça superior (isto lembra-nos algum evento mais recente envolvendo os mesmos arianos?) promoveram uma “limpeza étnica” e destruíram todas as evidências da civilização anterior. Essa eliminação de evidências foi tão eficiente que ninguém na Índia e no mundo inteiro sabia da existência da Civilização Harappiana, até o final do século dezenove, quando o arqueólogo inglês Alexander Cunningham começou a investigar umas ruínas em 1873. Por isso, as Escrituras hindus ignoram o Yôga Primitivo e começam a História no meio do caminho, quando o Yôga já havia sido arianizado.

Tudo o que fosse dravídico era considerado inferior, assim como o fizeram nossos antepassados europeus ao dizimar os aborígines das Américas e usurpar suas terras. O que era da cultura indígena passou a ser considerado selvagem, inferior, primitivo, indigno e, até mesmo, pecaminoso e sacrílego. Faz pouco mais de 500 anos que a cultura européia destruiu as Civilizações Pré-Colombianas e as aldeias de aborígines, e já quase não há vestígio das línguas (a maioria foi extinta), assim como da sua medicina, das suas crenças e da sua engenharia que construiu Machu Picchu, as pirâmides, os templos e as fortalezas, cortando a rocha com tanta perfeição sem o conhecimento do ferro e movendo-as sem o conhecimento da roda.

Da mesma forma, na Índia, após mil e tantos anos de dominação ariana, não restara vestígio algum da extinta Civilização Dravídica. O Yôga mais antigo? Só podia ser ariano! Descoberto o erro histórico há mais de duzentos anos, já era hora de os autores de livros sobre o assunto pararem de simplesmente repetir o que outros escreveram antes dessa descoberta e admitirem que existira, sim, um Yôga arcaico, Pré-Clássico, Pré-Vêdico, Pré-Ariano, que era muito mais completo, mais forte e mais autêntico, justamente por ser o original.

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Tendência Sámkhya Vêdánta
Período Yôga Pré-Clássico Yôga Clássico Yôga Medieval Yôga Contemporâneo
Época Mais de 5.000 anos séc III a.C. séc VII d.C. séc XI d.C. séculos XIX e XX

O criador do Yôga era drávida

A tradição, as lendas e mesmo as Escrituras declaram que o Yôga foi criado por Shiva. Só não confessam que Shiva era drávida. No entanto, chama-nos a atenção um pormenor artístico. Em todas as pinturas, Shiva é representado com a pele mais escura que os demais. As pessoas que aparecem naquelas representações pictóricas têm a tez clara, porém o criador do Yôga é retratado com a cor violácea. Isso é bastante revelador, uma vez que os drávidas eram bem morenos, tinham olhos negros e cabelos negros, enquanto que os arianos eram originalmente louros, de pele e olhos claros. Depois, com 3.500 anos de cruzamentos raciais, deixaram de sê-lo. Hoje podemos encontrar saddhus nas montanhas, que cobrem com cinzas sua pele escura e ficam com a mesma cor violácea atribuída ao criador do Yôga.

A origem das castas para segmentação étnica

Foi justamente o conflito étnico que gerou a divisão da sociedade indiana em castas. O termo varna, usado para designar casta, pode ser traduzido literalmente como cor. É que os arianos “puros”, encontrados atualmente entre os germânicos são, geneticamente, uma etnia muito frágil, de genes recessivos. Tanto que se miscigenarem-se com qualquer outra etnia, a descendência trará preponderantemente os traços dessa outra, cujos genes serão dominantes. Algo precisava ser feito urgentemente para que os guerreiros sub-bárbaros não se caldeassem com os conquistados. Essa medida foi o advento do sistema de castas que dividia a sociedade ariana por patamares de pureza racial para efeito hierárquico, bem como de heranças e de poder. Nas Américas não foi diferente. Índios, negros e mestiços não tiveram a aceitação dos europeus e seus descendentes. Tantos séculos depois, ainda não contam com uma perfeita integração cultural, social e econômica dos países em que vivem e aos quais emprestam sua contribuição. No entanto, impedir que os senhores cruzassem com suas escravas era uma empreitada inglória. Por isso, hoje, mesmo os de descendência e tradição ariana, ostentam os traços dos drávidas: pele escura, olhos negros, cabelos negros.

Ocorrera uma ironia do destino. Os áryas venceram pela espada e extinguiram quase todos os drávidas. Entretanto, os poucos drávidas sobreviventes venceram pelo sexo e extinguiram todos os arianos!

O Yôga Clássico formaliza a arianização

Cerca de 1.200 anos depois de instaurada a sociedade ariana na extensão de terra que passa a ser chamada Bhárata (os ocidentais chamam-na de Índia), nasce Pátañjali, que codifica o Yôga Clássico, formalizando sua arianização. Novo erro crasso por parte dos escritores de livros sobre o tema: Pátañjali é constantemente denominado “o pai do Yôga”. Perguntamos nós: como pode alguém ser pai de algo que já existia milhares de anos antes do seu próprio nascimento?

Yôga Medieval: começa a vedantização do Yôga

No século VIII d.C. Shankaráchárya viaja incansavelmente pela terra dos Bháratas, para divulgar a filosofia Vêdánta, convertendo, ao longo dos anos, grande parte da população hindu. A partir de então, as pessoas convertidas, ao praticar Yôga estariam professando obviamente um Yôga vêdantizado. Surge a fronteira ideológica que passará a dividir o Yôga em Antigo e Moderno.

O Hatha Yôga é tântrico

No século XI d.C. Matsyêndranatha funda a Escola Kaula, do tantrismo (Kaulachara Tantra). Praticamente tudo o que existe de literatura tântrica no Ocidente é originário dessa Escola. Seu discípulo Gôrakshanatha funda o Hatha Yôga.

O Yôga Contemporâneo é tantra-vêdánta

No século XIX começa a surgir um movimento de recuperação do Tantra Branco, Dakshinachara Tantra (bem mais antigo que o Kaulachara) e tem início o Yôga Contemporâneo.

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Tendência Sámkhya Vêdánta
Período Yôga Pré-Clássico Yôga Clássico Yôga Medieval Yôga Contemporâneo
Época Mais de 5.000 anos séc III a.C. séc VII d.C. séc XI d.C. séculos XIX e XX
Mestre Shiva Pátañjali Shankara Gôrakshanatha Aurobindo

Upanishadas

No que tange à literatura de cada período, Shiva, ao que nos consta, não escreveu nada. Talvez a escrita nem mesmo existisse. Mas fazemos constar na primeira coluna o tipo de Escritura denominada Upanishad, pois é onde se encontram as mais antigas referências ao Yôga.

Yôga Sútra

No século III a.C., o grande mérito de Pátañjali foi o de perenizar o Yôga mediante sua tese Yôga Sútra . O grande demérito foi que oficializou-se como Yôga algo que propunha uma postura comportamental contrária à proposta original. Deixa de ser tântrica para tornar-se brahmáchárya, seu oposto diametral. Sútra pode significar cordão ou aforismo. Aforismos são ensinamentos cifrados em resumidíssimas palavras, somente inteligíveis para os iniciados naquela linha específica.

Vivêka Chudamani

No século VIII d.C., Shankara escreve sua obra Vivêkachudamani, publicada no Brasil, na década de 1960 pela FEEU (Fundação Editorial Educacional Universalista). Trata, obviamente, de Vêdánta.

Hatha Yôga Pradípika

No século XI d.C., Gôraksha escreve seu livro Hatha Yôga, modalidade que logo passa a ser perseguida por tratar-se de vertente tântrica numa época de vigência brahmáchárya. Todos os exemplares são destruídos e os seguidores desse ramo são torturados. Por medo do martírio, instala-se o censurável costume, que perdura até os nossos dias, dos praticantes desse ramo de Yôga tântrico, o Hatha, declararem-se contra o Tantra! O livro proibido de Gôraksha Natha, por sua vez, é reescrito de memória por um discípulo, décadas mais tarde, quando as coisas se acalmam. A obra passa a denominar-se Hatha Yôga Pradípika. Só questionamos se os nossos discípulos também teriam a competência de reescrever nossos livros de memória e se conseguiriam preservar a autenticidade do que declaramos originalmente...

Mestres contemporâneos

Nos séculos XIX e XX surge uma nova geração de Mestres, quase todos de linha Vêdánta. Citamos vários, uma vez que não sabemos qual deles será considerado o mais expressivo Mestre do Yôga Contemporâneo. Só o saberemos daqui a uns duzentos anos ou mais. Na sua época, nenhum dos Mestres foi considerado a maior autoridade do respectivo período histórico. Pelo contrário. Em seu próprio tempo, muitos foram atacados, difamados, perseguidos e torturados.

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Tendência Sámkhya Vêdánta
Período Yôga Pré-Clássico Yôga Clássico Yôga Medieval Yôga Contemporâneo
Época Mais de 5.000 anos séc III a.C. séc VII d.C. séc XI d.C. séculos XIX e XX
Mestre Shiva Pátañjali Shankara Gôrakshanatha Aurobindo
Rámakrishna
Vivêkánanda
Shivánanda
Chidánanda
Krishnánanda
Yôgêndra
Literatura Upanishad Yôga Sútra Vivêka Chudamani Hatha Yôga

Trash books

Quanto à literatura contemporânea, optamos por não mencionar nenhuma. Seria muito prematuro citar algum livro como o principal deste período , pois a bibliografia editada nestes séculos costuma deixar muito a desejar: erros primários são cometidos, a imagem do Yôga passa a ser muito mais distorcida, e até caricaturizada, em livros popularescos escritos por autores que não são autoridade – a maioria nem sequer é do ramo! É a era do “Yôga em 10 lições” e do “Cure a sua mazela com o Yôga”.

O Yôga Pré-Clássico é Tantra-Sámkhya

O Yôga Pré-Clássico é a única vertente Tantra-Sámkhya da História, isto é matriarcal, sensorial, desrepressora e naturalista (não-espiritualista). Sua designação completa é:

Dakshinacharatántrika-Niríshwarasámkhya Yôga

Este nome é muito esclarecedor, já que define até quais os hábitos alimentares e sexuais do praticante, esclarece que o seguidor dessa corrente professa a liberdade, mas não usa fumo, álcool ou drogas, abomina o misticismo e cultua a Natureza.

Estudando o quadro sinótico completo, abaixo, compreenderemos que o Yôga mais antigo é muito diferente de todos os que vieram depois dele. Como o estudante pode observar, a primeira coluna apresenta uma proposta comportamental tântrica, que é matriarcal, sensorial e desrepressora, enquanto que a partir da chegada dos arianos passa a ser brahmáchárya, que é patriarcal, anti-sensorial e repressora. Noutras palavras, ocorreu a primeira grande deturpação do Yôga, invertendo sua proposta original.

Correntes incompatíveis

Portanto, primeira barreira é uma fronteira étnica, originada pela guerra entre os invasores arianos e os donos da terra, os drávidas. Trata-se de uma fronteira mais séria que a existente entre Sámkhya e Vêdánta, pois esta outra é apenas ideológica. A que divide o Yôga Pré-Clássico dos que surgiram depois, é uma fronteira de sangue, que custou muita dor, torturas, mortes e escravidão. Foi tão intensa que ficou profundamente impregnada no inconsciente coletivo da Humanidade. Tanto que hoje, 3.500 anos depois, do outro lado do mundo, se um latino – que não é drávida nem ariano, que não estava lá e não tem nada a ver com o conflito – ingressa no Yôga, inevitavelmente, involuntariamente, agrega-se a uma das duas vertentes e torna-se opositor à outra! Se sua opção foi pelo Yôga de raízes tântricas, vincula-se ao setor do inconsciente drávida; ou, ao contrário, se sua opção foi pelo Yôga de raízes brahmácháryas, atrela-se ao do inconsciente ariano. Isso se nota imediatamente pelo fato de que o praticante torna-se fortemente antipático à outra tradição e começa a manifestar atitudes hostis com relação a ela.

A primeira reação que temos ao tomar contato com essa realidade é a de não aceitar o antagonismo e querermos conciliar as duas correntes. Infelizmente, todos os que o intentaram foram execrados por ambas, como se fossem duplos traidores. Quando o leitor estudar o tema egrégora, vai entender o motivo pelo qual um indivíduo é sempre o elo mais fraco, que se rompe ao tentar interferir com fenômenos grupais, especialmente se envolvem muitos seguidores, se a egrégora é antiga e já está consolidada. Como este assunto é suficientemente explanado no nosso livro Encontro com o Mestre, não vamos repetir aqui aquelas explicações, mas recomendamos veementemente a leitura da obra mencionada.

Estude, agora, o quadro completo:

CRONOLOGIA HISTÓRICA DO YÔGA
Divisão YÔGA ANTIGO YÔGA MODERNO
Tendência Sámkhya Vêdánta
Período Yôga Pré-Clássico Yôga Clássico Yôga Medieval Yôga Contemporâneo
Época Mais de 5.000 anos séc III a.C. séc VII d.C. séc XI d.C. séculos XIX e XX
Mestre Shiva Pátañjali Shankara Gôrakshanatha Aurobindo
Rámakrishna
Vivêkánanda
Shivánanda
Chidánanda
Krishnánanda
Yôgêndra
Literatura Upanishad Yôga Sútra Vivêka Chudamani Hatha Yôga
Fase Proto-histórica Histórica
Fonte Shruti Smriti
Povo Drávidas Áryas
Linha Tantra Brahmácharya

Quadro extraído do livro Yôga, Mitos E Verdades, deste autor.


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